
“Ghosting” às propostas: quando o silêncio vira prática, deixa de ser neutro e diz mais do que “não”
Uma proposta enviada após uma solicitação concreta não é cortesia operacional. É investimento relacional. E todo investimento exige reciprocidade explícita. E foi preciso tempo, experiência e alguns silêncios constrangedores (algumas vezes irritantes) para que eu chegasse a esse entendimento. Quem atua em serviços profissionais, como eu, já viveu (ou vive com frequência) a seguinte situação. O cliente entra em contato. O tom é urgente. O desafio é relevante. O prazo é “para ontem”. Escuto com atenção, faço perguntas qualificadas, mobilizo tempo, energia intelectual e, muitas vezes, outras pessoas do meu time. Construo uma proposta sob medida, cuidadosa, alinhada ao contexto e às dores apresentadas. Vivo a satisfação pessoal de um trabalho bem-feito e, então, envio a proposta ao suposto interessado com urgência. Certamente terei respostas em algumas horas ou, no máximo, em um par de dias. O mesmo tempo que tive para preparar a proposta técnica e comercial detalhada que foi solicitada. E então… o silêncio. Nenhum “recebemos”. Nenhum “estamos avaliando”. Nenhum “decidimos seguir por outro caminho”. Nada. Nem mesmo um simples e educado “obrigado pelo envio da proposta”. Algo que não é dolorido de escrever nem excessivamente consumidor do precioso tempo de quem solicitou a proposta. Não é (apenas) sobre vendas. É sobre maturidade relacional e tratamento digno do outro. Durante muito tempo, interpretei esse tipo de situação apenas como um “ruído” natural do processo comercial, oriundo, claro, de uma descortesia. Mas, em última instância, algo “normal”, praticado por um “profissional ocupado” com uma “agenda cheia” (tal qual eu e minha agenda…). Hoje, enxergo diferente. Pedir uma proposta não é um ato neutro. É um convite ao meu investimento de tempo, de conhecimento, de repertório e de reputação. E também às minhas expectativas e ao meu desejo profissional de fazer um trabalho bem-feito, na eventualidade










